Regeneração Urbana do Quarteirão Aurifícia
- Promotor
- Ordem dos Arquitetos
- Localização
- Porto
- Ano
- 2013
- Área
- 72,5 ha
Desafio
O quarteirão aurifícia é delimitado pelas ruas Álvares Cabral, Cedofeita, Rua dos Bragas e Mártires da Liberdade e pela Praça da República. O concurso visa a desafiar os concorrentes a apresentarem uma série de soluções que resolvessem os problemas do quarteirão, como o impacto gerado pelo automóvel tornando ruas pouco amigáveis para o peão e um rés do chão inóspito para a vida urbana; um quarteirão muito marcado por casas devolutas e questões sociais muito problemáticas, resultando numa reduzida “vida de bairro” e falta de espaços de encontros comunitários.
A Companhia Aurifícia, fundada em 1864, esteve ativa durante quase 150 anos, tendo sido uma indústria de referência da cidade do Porto e em Portugal, uma das fábricas pioneiras na produção de objetos de ourivesaria em prata e ouro. Este património é um edifício distinto e tem de ser motivo de valorização.
Outro elemento urbano, de destaque é a Praça da República que, rodeada pelo automóvel, faz com que o seu interior o jardim histórico esteja inacessível às pessoas e necessita de ser requalificado.
Processo
A intervenção no quarteirão veio de uma análise perspicaz dos problemas e desafios que a estrutura urbana oferecia traduzindo-se em 9 objetivos estratégicos de implementação:
- Renovação do metabolismo social
- Reabilitação/Regeneração/Conservação
- Fixação
- Bem-estar/Ambiente
- Gestão
- Mobilidade
- Economia urbana
- Energia/Sustentabilidade ecológica
- Rede de comunicação/informação
Solução
A intervenção no quarteirão nasce de uma narrativa que conta uma história próxima do lugar e descreve a apropriação do interior do mesmo. A fábrica Aurifícia que, fruto do passar do tempo e da sua condição inerte, fratura o quarteirão em duas metades, a partir deste dado, a narrativa nasce do interior da fábrica que, mesmo desativada, não se demite do seu papel produtivo, empenhando-se desta feita na criação de um novo layer de cidade.
Esse novo layer define dois percursos urbanos (cardus e decumanus) que abraçam a fábrica com diferentes ambições: a vontade de reunificar as duas margens do quarteirão e criar atravessamentos internos que promovam o novo fluxo da cidade. Desta feita, no seu encontro é gerado o acontecimento urbano de maior intensidade (a praça de entrada e anfiteatro).
O cardus nasce na Rua de Cedofeita e une o quarteirão à Praça da República que fruto da intervenção, se transforma um ponto de destaque na cidade, um espaço de encontro e troca. O decumanus pretende assumir a ligação entre a Rua Álvares Cabral e a Rua dos Bragas. No meio, a velha fábrica esquecida pelo tempo torna-se parte integrante das dinâmicas da cidade.
Ao longo dos percursos nasce a infraestrutura que, movida pela voraz intenção de fazer cidade, cria o rés do chão que a cidade já teve. Com complemento e vontade coletiva, foram instalados pequenos equipamentos de usufruto comum que se ancoram ao longo dos percursos.
Quando a cidade se sobrepõe, intervém nos edifícios que abraça unificando os domínios, seja no espaço livre de logradouro, seja no espaço construído.
- Estado
- Concurso (7º lugar)
- Equipa
- Carlos Pais, Arquiteto
Mário Lima, Arquiteto
Hélder Pinto, Arquiteto Estagiário
Vânia Moreira, Arquiteta Paisagista
Luís Ramalho, Designer












